- Alô? Está me ouvindo?
- Quem está falando?
- Você está me ouvindo?
- Ah... sim....
- Estranho, eu sempre tive a impressão que você não me ouvia.
- Eu estou te ouvindo, Marcelo. São quatro horas da manhã.
- É que eu estava aqui sem sono pensando que, porra, talvez você realmente tenha um problema de audição, imagina só! Fiquei com a consciência pesada, nosso relacionamento terminou justamente porque eu tinha a impressão de estar falando sozinho, sabe, eu ficava impaciente e...
- Marcelo...
- Não! Me escuta, por favor, me escuta só desta vez! Eu estava aqui pensando que se você realmente tiver um problema de surdez e isso for constatado, quero dizer, eu posso te levar ao médico, pagar todos os exames necessários, aí quem sabe, Tereza, quem sabe a gente possa sair, beber alguma coisa, conversar, não sei. Seria muito diferente, Tereza, porque eu teria consciência que você realmente tem um problema auditivo, que não se trata de egoísmo, de descaso, você está me ouvindo?
- Estou.
- Então fala alguma coisa.
- Marcelo...
- Tá vendo? Tá vendo só? Você sabe que tem problema! Você não consegue emitir nenhuma opinião concreta sobre nada porque você simplesmente não escuta! Amanhã nós vamos resolver isso, meu bem, fique tranquila, tudo vai entrar no eixo, viu?
- Porra, Marcelo, eu não tenho problema de audição nenhum, você enlouqueceu?
- Você conhece algum médico?
- Que médico, Marcelo, que médico? Do que você está falando?
- Se você tivesse algum médico na família, poderia pedir a ele algum laudo forjado, um atestado mesmo, sabe? Como as pessoas fazem para faltar o emprego, enganar o chefe, eu ficaria achando que você tem um problema auditivo e nós poderíamos retomar de onde paramos...
- Se eu tiver algum médico na família, pedirei que te prescreva drogas psiquiátricas. Pesadas.
- Alô, Tereza? Alô? Está me ouvindo? ALÔ? ALÔ, TEREZA?
- Estou. Não grita.
- Foi só um teste. Diga: você ouviu só os dois últimos alôs?
- Quem está falando?
- Você está me ouvindo?
- Ah... sim....
- Estranho, eu sempre tive a impressão que você não me ouvia.
- Eu estou te ouvindo, Marcelo. São quatro horas da manhã.
- É que eu estava aqui sem sono pensando que, porra, talvez você realmente tenha um problema de audição, imagina só! Fiquei com a consciência pesada, nosso relacionamento terminou justamente porque eu tinha a impressão de estar falando sozinho, sabe, eu ficava impaciente e...
- Marcelo...
- Não! Me escuta, por favor, me escuta só desta vez! Eu estava aqui pensando que se você realmente tiver um problema de surdez e isso for constatado, quero dizer, eu posso te levar ao médico, pagar todos os exames necessários, aí quem sabe, Tereza, quem sabe a gente possa sair, beber alguma coisa, conversar, não sei. Seria muito diferente, Tereza, porque eu teria consciência que você realmente tem um problema auditivo, que não se trata de egoísmo, de descaso, você está me ouvindo?
- Estou.
- Então fala alguma coisa.
- Marcelo...
- Tá vendo? Tá vendo só? Você sabe que tem problema! Você não consegue emitir nenhuma opinião concreta sobre nada porque você simplesmente não escuta! Amanhã nós vamos resolver isso, meu bem, fique tranquila, tudo vai entrar no eixo, viu?
- Porra, Marcelo, eu não tenho problema de audição nenhum, você enlouqueceu?
- Você conhece algum médico?
- Que médico, Marcelo, que médico? Do que você está falando?
- Se você tivesse algum médico na família, poderia pedir a ele algum laudo forjado, um atestado mesmo, sabe? Como as pessoas fazem para faltar o emprego, enganar o chefe, eu ficaria achando que você tem um problema auditivo e nós poderíamos retomar de onde paramos...
- Se eu tiver algum médico na família, pedirei que te prescreva drogas psiquiátricas. Pesadas.
- Alô, Tereza? Alô? Está me ouvindo? ALÔ? ALÔ, TEREZA?
- Estou. Não grita.
- Foi só um teste. Diga: você ouviu só os dois últimos alôs?

